CONTATO
Escuta.
Aprende a ouvir o sereno silêncio da floresta
Ensinando mais que mil aulas
Ressoa no vaso da alma
a humildade das horas daqui.
Fecha os olhos.
Foca teus ouvidos na graciosa dança das águas,
que bailam num fluxo inexorável... pro mar distante.
Sinta a brisa no rosto,
Que o oceano de rio-mar
No coração da mata
Aos poucos
Te fará sentir parte do Todo.
Homem branco diluindo-se em rio Negro
Primeiro precisa mover-se como as águas
Ouvi-las
Entoar seus cânticos
Respeitar seu pranto
A paciência da preguiça e a liberdade da arara
Pra entender "como" e "pra quê" dançam os índios.
Quanto amor e esperança
Alegrias, risos
Choro e luto
Quantas dores e lutas
Sangue e suor
Desbravamento e retidão
Extermínio e escravidão
Vida e morte
Passaram por esses igarapés?
O orgânico se decompõe
A matéria se transforma
A água negra recicla a vida
E o verde reina imponente
Cujo espírito se sente no pulsar
de toda vida amazônica.
Aproveita que estás contente
E faz germinar em si
Semente invisível de "pra sempre"
Na matéria finita de ti.
SARQUIS, João Rana Vieira. 01/04/2021.

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