FILTRO DOS SONHOS
O "Filtro do Sonhos", também chamado de "caçador/apanhador de sonhos" ou "espanta pesadelos", presente em diversos cantos do mundo, tem sua origem na cultura indígena norte-americana.
É usado popularmente como um amuleto que atrairia sorte e sabedoria, bem como purificação do ambiente, por separar e filtrar as "energias ruins" das boas, notadamente na forma de sonhos. Daí ele geralmente ser colocado sobre a cama e recebendo alguma luminosidade diurna, pois os raios de sol teriam a capacidade de destruir as impurezas retidas durante a noite, protegendo o sonhador.
Os primeiros adereços dessa natureza surgiram na tribo dos Ojibwas, cujos membros acreditavam que uma das principais missões do homem era a de decifrar seus sonhos, pois trariam importantes mensagens sobre o funcionamento da natureza, do universo e da vida.
Na Grécia Antiga, por sua vez, nos templos de Asclépio (deus da Medicina), era realizada a chamada "incubação", onde o indivíduo enfermo era submetido a tratamentos com ervas e banhos especiais, sob a supervisão de sacerdotes, permanecendo em isolamento até que o processo de cura se manifestasse na forma de algum sonho. Em muitas culturas e no próprio texto bíblico, as imagens oníricas são consideradas objeto de respeito e de acesso ao autoconhecimento ou à profecias.
Hoje, a psicologia profunda, particularmente a junguiana, já os entende como portal para o nosso inconsciente, refletindo uma realidade ampliada sobre nós mesmos, livre dos mecanismos adaptativos do ego (consciente) e em contraponto à unilateralidade deste. Sonhos, então, quando cuidadosamente analisados, nos conectam com nossa verdade interior ou Self. Mesmo os mais "estranhos", pois o inconsciente possui uma linguagem metafórica e simbólica, e não lógica ou linear como a consciência.
Percebamos, logo (e não por acaso), como o significado da palavra enquanto "ambição, desejo ou meta de vida" só pode ser realmente vivido e apreendido se dermos ouvidos e sentido à sua manifestação interior: olhando pra dentro para realizar lá fora.
Até para se perguntar, inclusive, se os planos e metas que possuímos são frutos de nós mesmos ou do que os outros esperam de nós.
Paz e luz.
SARQUIS, João Rana Vieira. 14/12/21.

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